TREINAMENTO EXPERIENCIAL É TREINAMENTO OUTDOOR?

Posted by | julho 14, 2015 | Artigo | No Comments
ar livre e ar preso

A Metodologia Experiencial tem sua origem em treinamentos para a marinha inglesa na época da 2ª Guerra Mundial.
A partir dos anos 50, com a criação da Otward Bound, instituição que existe até os dias de hoje, atualmente em mais de 30 países, passou a ser usada em programas em formato de expedição, com vários dias em campo, direcionados para jovens em situação de vulnerabilidade social, nos EUA.
Em ambos os casos havia uma carga considerável de esforço físico no uso do método.
Ainda hoje o formato de expedição é usado e gera resultados excelentes, contudo, por lidar com situações reais (vários dias de caminhada, escalada, carregando casa e comida nas costas ou velejando durante dias) os processos grupais tendem a levar mais tempo para acontecer. Considerando o cenário corporativo, dificilmente uma empresa pode abrir mão da presença de um colaborador por tanto tempo.
Possivelmente em vista disso, a partir dos anos 70 a Metodologia Experiencial começou a ser usada no ambiente corporativo e muito embora ainda fosse usada em expedições, houve o início do desenvolvimento de outras formas de abordagem da mesma ferramenta. Começaram a utilizar os chamados percursos de cordas, com atividades de cordas altas e cordas baixas, que até hoje são usados em muitas ocasiões e diferentemente das expedições, lidam com simulações em ambientes controlados, nas quais os processos grupais eclodem mais rapidamente em função das situações que criadas para tal. Contudo, com o passar do tempo, no mundo, as formas de abordagem foram diversificando e a essência da metodologia começou a mostrar-se bem mais ampla do que uma abordagem na qual o foco é em desafios físicos.
O conceito de aventura mudou. Continua sendo associada à adrenalina, mas não necessariamente à um esporte ou atividade radical.
Quando trabalhamos em equipe e precisamos decidir se vamos expor nossa opinião ou não, é comum este embate interno de idéias gerar adrenalina. “Será que vou ser ouvido? Será que o que tenho a dizer é bobagem Como será recebido pelo grupo? Vou conseguir me fazer ouvir? Vou conseguir me fazer entender?” Atualmente este tipo de situação também é considerada uma aventura pois envolve risco. Ainda que não seja risco físico, mas o risco de expor-se.
O olhar da Metodologia Experiencial ampliou-se consideravelmente. Sua essência está no aprendizado cooperativo e afetivo para auxiliar grupos e indivíduos a ajustarem padrões de comportamento deficientes por meio do aumento da consciência do grupo, sempre de forma inclusiva.
Nos anos 90, quando chegou ao Brasil era usada intensamente com o formato americano, com percursos de cordas. Ainda havia um foco muito grande no esforço e desafios físicos.
Na ocasião houve um enorme boom no uso da metodologia. Muita gente começou a fazer uso da ferramenta indiscriminadamente, o que acabou gerando uma certa rotulação da Metodologia Experiencial, como sendo algo superficial e de pequena abrangência em seu uso.
Hoje em dia o leque se expandiu tanto que podemos saber e decidir junto com nossos clientes, qual a modulação da condução necessária para cada situação, quando é hora de puxar mais pelo físico, quando é hora de puxar mais pelo lado cognitivo ou pelo emocional, de modo a abordar as 3 dimensões do ser humano (pensar, sentir e querer). Seja qual for o caminho a seguir, precisa fazer sentido com a necessidade do grupo, na intervenção específica.
Essa expansão começou, felizmente, a levar a Metodologia para dentro de sala também, o que trouxe nova ampliação nos horizontes de aplicação. E fez com que os profissionais que seguiam atuando de forma séria desde os anos 90, buscassem outros conhecimentos e habilidades para acompanhar estas mudanças do mercado. Há excelentes consultores hoje em dia que iniciaram sua trajetória com a Metodologia Experiencial porque eram montanhistas, pessoas oriundas “do mundo dos esportes radicais”.
Se considerarmos os tipos de programas descritos na literatura (veja Simon Priest e Michael Gass – Leadership in Adventure Programs, 1994) podemos ver claramente que o uso desta ferramenta fantástica, vai muito além dos tradicionais programas de Team Building, que podem ser muito bons, desde que aconteçam no momento e forma adequados. Programas que vão desde uma simples sensibilização a programas de desenvolvimento de lideranças, até gestão de grandes mudanças, como fusões e aquisições, melhoria nas interfaces entre áreas afins, alinhamento de processos e aderência às diretrizes estratégicas das empresas.
Hoje em dia um dos maiores desafios para quem trabalha com T&D, seja prestando serviço, seja contratando, é fazer com que os participantes coloquem seus conhecimentos em prática. (convido a leitura de outro artigo em nosso blog: “Afinal, T&D Dá Resultado?” No qual abordamos especificamente esta problemática)
Neste cenário é ponto para a Metodologia Experiencial, que tem como uma das premissas dar oportunidade para aprendermos fazendo de maneira autorresponsável, de forma colaborativa, cuidando dos indivíduos e do grupo ao mesmo tempo, abrindo espaço para que as pessoas coloquem o que tem de melhor a serviço do grupo e de si mesmas.
Claro que trabalhar ao ar livre, em um ambiente diferente do usual, traz benefícios, o simples fato de estarmos em outro lugar, com menos formalidade, já abre outras possibilidades em nossa forma de pensar, sentir e interagir, mas isso nem sempre é suficiente.
É precisa saber o que, quando, como e para que usar a metodologia.
Por essas e outras afirmo: Não, Treinamento Experiencial não é Treinamento Outdoor.
A Metodologia Experiencial é um guarda-chuva que tem como uma das abordagens o Treinamento Outdoor.

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