ZONA DE CONFORTO E OS PROCESSOS DE MUDANÇA

Posted by | março 08, 2015 | Artigo | No Comments
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Muito se fala em Zona de Conforto e principalmente na saída dela.
Mas porque é tão difícil sairmos da nossa Zona de Conforto?
Para entendermos melhor vamos trazer outros conceitos que caminham juntos.

Zona de Conforto

Zona de Conforto:

É composta por tudo aquilo que sabemos fazer. Nossas competências, habilidades, o que gostamos, o que nos interessa. Coisas que fazemos sem necessariamente precisarmos pensar. Os que se apegam demais a ela são os ditos acomodados, resistentes, avessos às mudanças. E, se a pessoa tiver consciência de que está escolhendo ficar parado, ok! Afinal a vida é feita de escolhas e renúncias.

Zona de Aprendizado:

Como o nome já diz é composta pelas situações nas quais nos colocamos que proporcionam aprendizado. Aquilo que nos propomos a fazer, que nos desafia, mas não gera medo ou negação, mas que nos instiga e impulsiona. Aqui está o povo focado na ação, os que gostam de desafios, inquietos por natureza, aprendizes vorazes, mas também os workaholics.

Zona do Medo:

Outro nome autoexplicativo. Aqui residem todas as possíveis ações ou aprendizados que geram medo, resistência, negação, “emburrecimento” e paralisia. Onde reside o desconhecido. Há aqueles que não saem da Zona de Conforto por medo excessivo e não por acomodação, na verdade ficam paralisados pelo terrível incômodo que gera a exposição ao novo.

Muito embora nosso cérebro seja “uma máquina” fantástica, ele é desenhado para economizar energia ou seja, fisiologicamente esse órgão é desenhado para nos manter na Zona de Conforto. Aí reside uma armadilha…afinal, quem não gosta de conforto? Para percebermos que caímos nessa armadilha é importante ter um mínimo de autoconhecimento, pois sempre há indícios, pistas de que estamos entrando nas armadilhas que criamos…mas isso já assunto para outro artigo.
Voltando ao nosso tema…Tente lembrar-se de quando você começou a aprender a dirigir, andar de bicicleta ou qualquer outra coisa que você não soubesse fazer. No começo é comum nos sentirmos inseguros. Aos poucos, com a repetição,  aquilo que era novo, vai se tornando conhecido e vamos criando trilhas neurais. Os neurônios responsáveis por essas ações começam a se conectar, criando ligações. Quanto mais repetimos, mais fortes tornam-se essas conexões e mais confortáveis ficamos. Até o ponto em que podemos dirigir sem pensar na hora de pisar na embreagem e mudar uma marcha ou pedalar sem nos preocuparmos com desequilíbrio.
Para alguns, quando começam a aprender algo se mantêm na Zona de Aprendizado. Há aqueles que para aprender a dirigir é motivo de pânico e assim vão diretamente para a Zona do Medo, na qual será difícil construir aprendizado, ainda que seja possível. A tendência é entrar na negação e esse estado de medo só irá passar com perseverança. A negação pode vir em forma de  outros sentimentos também, raiva, desprezo, tristeza, ansiedade e outros.
A menos que haja algum comprometimento psicoafetivo mais sério, se o indivíduo insistir e confrontar o medo, a tendência será a superação dessa dificuldade com a criação de trilhas neurais que tornarão a situação cada vez menos desconfortável, até o momento que passará a ser confortável ou pelo menos suportável, sem gerar dor ou sofrimento.

Mas o que isso tudo tem a ver com Processos de Desenvolvimento, Mudança e Aprendizado?

Para aprendermos algo, já é uma premissa a saída da Zona de Conforto. Para que isso aconteça, já demanda uma mudança interna. O passo inicial é Querer…é preciso Querer Aprender, Querer sair da Zona de Conforto.
O que dizer então quando uma empresa assume uma nova Visão ou muda seus Valores, assume um novo Modelo de Gestão, passa por um processo de Reestruturação ou de Fusão ou ainda entra em um novo segmento de mercado?
Em qualquer Processo de Mudança, seja na hora de aprender algo ou nos exemplos citados acima, as Dimensões Humanas (para compreender melhor veja nosso artigo sobre o assunto em http://www.acaocriativa.com/as-dimensoes-humanas/ ) podem ter suas características mais fortes exacerbadas. A tendência é resistirmos e se não quisermos aceitar a mudança, podem fazer o que for, esqueça, dificilmente este processo será bem sucedido.
As pessoas precisam sentir-se instigadas, convidadas, fazendo parte. A liderança precisa ter consciência do modelo de coerência que precisa assumir.
Assim, os integrantes das equipes terão uma possibilidade maior de aceitar, de se identificar com a proposta, seja ela um Programa de Desenvolvimento ou um Processo de Mudança de maior ou menor extensão e complexidade.
Quando um cenário de Mudança surge, precisamos estar muito atentos aos nossos gatilhos internos: Por que estou resistindo? O que me fez aceitar? Que atitudes tomei? O que senti?
A tendência natural será sempre ficarmos na Zona de Conforto, afinal de contas, lembre-se, seu cérebro vai querer sempre economizar energia.
No cenário corporativo o Desenvolvimento Comportamental vem sendo cada vez mais necessário. Ampliar o nível de autoconsciência tem se tornado imprescindível. Um mundo com crises cada vez mais presentes, com a necessidade das empresas gerarem mais com menos, de precisarmos alcançar a almejada alta performance gastando menos e percebermos as oportunidades a nossa volta. Para tanto, é de extrema importância que tenhamos consciência de nossas escolhas. Afinal a pressão externa tende a aumentar, tornando o gerenciamento de mudanças uma constante e com isso o abandono da Zona de Conforto, uma necessidade. Quanto mais clareza do que está a nossa volta tivermos, maiores serão as possibilidades de trilharmos o caminho do meio e sermos felizes.

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